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Olhar Olímpico

Com presidente afastado, handebol perde patrocínio do Banco do Brasil

Demétrio Vecchioli

11/04/2018 14h36

A crise chegou de vez ao handebol brasileiro. Menos de uma semana após uma decisão judicial afastar o presidente da Confederação Brasileira de Handebol (CBHb), Manoel Oliveira, como consequência de uma série de irregularidades na gestão de convênios com o Ministério do Esporte, agora o Banco do Brasil informou que não vai renovar o patrocínio à CBHb. A informação, inicialmente divulgada pela Veja, foi confirmada pelo Olhar Olímpico.

O fim do patrocínio é um golpe duríssimo para a modalidade, que tem no Banco do Brasil seu patrocinador máster. No ano passado, os Correios, que também dão suporte à confederação, também já haviam anunciado uma redução expressiva no valor repassado. À época, a confederação também já sofria com denúncias de má gestão. Ao optar por empurrar a sujeira para baixo do tapete, perdeu quase todo o apoio que recebia, que fazia com que a CBHb fosse a única confederação com dois patrocinadores estatais.

Em nota, a CBHb disse que "lamenta muito o fim dessa parceria essencial para o handebol nacional" "Sem o apoio do Banco do Brasil, a entidade terá de rever todo o seu planejamento, principalmente as ações relativas às seleções olímpicas. As equipes de base também serão afetadas", informou a confederação.

Leia também: Confederação de handebol deu procuração irrestrita a mulher de presidente

O prejuízo é imenso. Pelos contratos anteriores que vigoravam na Rio-2016, a CBHb recebia anuais R$ 6,7 milhões dos Correios e outros R$ 7,8 milhões do Banco do Brasil. No balanço daquele ano, a CBHb apontou R$ 15,5 milhões em patrocínio. Agora, com a crise de governança na confederação, só resta um único contrato, de R$ 1,6 milhões anuais, com os Correios. Uma redução de praticamente 90% no orçamento.

Com isso, o handebol dá um enorme passo atrás depois de ganhar espaço em 2011 quando recebeu o Mundial Feminino em São Paulo e deu mostras de que poderia chegar longe – como chegou, com o título mundial em 2013. Com o aumento da visibilidade da modalidades, os Correios se tornaram patrocinadores da confederação em 2012, ganhando a companhia do Banco do Brasil no ano seguinte. Até então, era a Petrobrás a estatal que apostava no handebol

O primeiro contrato do BB foi assinado em junho de 2013: R$ 4,4 milhões. Depois, ele foi renovado mais sete vezes, com ações pontuais tanto na quadra quanto no handebol de areia. Em cinco anos, o Banco do Brasil repassou à confederação um total de R$ 31,7 milhões, de acordo com o banco estatal. Ou seja: uma média de pouco mais de R$ 6 milhões ao ano.

A CBHb contava com a renovação do contrato, que vence no próximo dia 30 de maio. Tanto que fez todo o planejamento financeiro a partir do apoio. A expectativa, expressa no planejamento aprovado pelas federações estaduais no mês passado, era de que o Banco do Brasil não só renovasse contrato como investisse R$ 5 milhões em 2018.

Mas o banco já havia dado mais de uma mostra que não está interessado em se relacionar com confederações envolvidas em escândalos. Em 2014, encerrou cinco anos de patrocínio à Confederação Brasileira de Futsal em situação parecida. Curiosamente, àquela época, a explicação para deixar a CBFS foi a troca para o handebol. Sem Correios e Banco do Brasil, o futsal pena para sobreviver.

O handebol vai por caminho parecido. Além dos R$ 5 milhões em patrocínio direto, a confederação também apostava em levantar outros R$ 6 milhões pela Lei de Incentivo ao Esporte, possivelmente junto aos patrocinadores. Agora, a meta fica mais difícil. A única verba garantida é o repasse da Lei Agnelo/Piva: apenas R$ 2,5 milhões para 2018.

Manoel Oliveira, presidente da CBHb há quase três décadas, precisa deixar a presidência da confederação após decisão da Justiça Federal do Distrito Federal. E, curiosamente, tudo por causa do mesmo torneio que iniciou um ciclo positivo para a CBHb. Uma ação popular, proposta por federações de oposição, questiona a forma como a confederação executou um convênio de R$ 6 milhões com o Ministério do Esporte para a realização do Mundial.

Nesta reportagem, você pode entender melhor as denúncias. Na segunda-feira, a CBHb informou que ainda não havia sido informada da decisão judicial. Manoel continua no cargo depois de ter sido mais uma vez reeleito no ano passado, apesar de decisão do STJD da modalidade que impedia sua candidatura. Mas ele conseguiu uma liminar na Justiça do Sergipe, seu estado natal (e onde fica a confederação) para validar a eleição. Depois, mudou os membros do STJD, que voltou atrás da decisão.

 

 

Sobre o autor

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Focado na cobertura olímpica, produziu o Giro Olímpico para o UOL e reportagens especiais para a revista IstoÉ 2016. Criador do Olimpílulas, foi colunista da Rádio Estadão e blogueiro do Estadão, pelo qual cobriu os Jogos do Rio-2016.

Está disponível para críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas no demetrio.prado@gmail.com.

Sobre o blog

Um espaço que olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. Aqui tem destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa.