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Olhar Olímpico

Sinuca muda para virar olímpica e consagra brasileiro como campeão mundial

Demétrio Vecchioli

20/03/2018 11h11

Um dos esportes mais praticados pelo mundo, especialmente nos países de língua inglesa e na China, a sinuca se ressentiu de nem conseguir ficar entre as oito modalidades que chegaram ao estágio final da disputa para serem incluídos no programa olímpico em Tóquio-2020. Reconhecendo que o problema era a governança, disseminada entre diversas federações, começou a ensaiar uma unificação, a ponto de criar seu primeiro Campeonato Mundial. Realizado em Malta na semana passada, o torneio teve um brasileiro como campeão: Igor Figueiredo, um carioca de 40 anos.

O título veio na modalidade que é a mais popular na Europa e na Ásia, o snooker. Disputada numa mesa maior do que as brasileiras (o próprio Igor só jogou numa delas pela primeira vez em 2011), tem 15 bolas vermelhas que precisam ser encaçapadas intercalando com uma colorida, que sempre volta para a mesa até que as 15 vermelhas sejam derrubadas. É o snooker que tem o circuito profissional que mais bem remunera, a ponto de o líder do ranking mundial ter somado mais de R$ 2 milhões em premiação no último ano.

O Mundial vencido por Igor no fim de semana, em Malta, foi o primeiro organizado pela nova WSF (World Snooker Federation), mais bem estruturada entre as federações de esportes de bilhar – há uma entidade guarda-chuva, a WCBS, congrega as federações das três modalidades de bilhar e é reconhecida pelo Comitê Olímpico Internacional (COI), mas quase nada ativa.

(divulgação/WSF)

O Mundial da WSF não recebeu nenhum dos quase 100 jogadores que têm o chamado card para disputar esse circuito mundial. Na modalidade, ele é tratado como uma espécie de Mundial Amador, ainda que tenha distribuído 10 mil euros em prêmios. É que todos os eventos que não são do Circuito Mundial (World Tour) são tratados como amadores.

O que não significa que tenha sido uma competição fácil. Na final, ele venceu o galês Darren Morgan, que já foi oitavo colocado do ranking mundial. Hoje, nenhum dos dois aparece no ranking. Mais do que o dinheiro, Igor ganhou um card para jogar o circuito mundial pelas próximas duas temporadas, além de um convite para disputar o Campeonato Mundial Profissional, que será jogado em abril em Sheffield, na Inglaterra, espécie de casa da modalidade. O torneio terá premiação recorde, de mais de R$ 2 milhões ao campeão.

Igor até tentou disputar o Mundial de Sheffield nos últimos anos, mas caiu sempre no qualifying. Na temporada 2016/2017, ele chegou a participar do Circuito Mundial, avançando às quartas de final nos Abertos de Gibraltar e de Gales.

 

 

 

Sobre o autor

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Focado na cobertura olímpica, produziu o Giro Olímpico para o UOL e reportagens especiais para a revista IstoÉ 2016. Criador do Olimpílulas, foi colunista da Rádio Estadão e blogueiro do Estadão, pelo qual cobriu os Jogos do Rio-2016.

Está disponível para críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas no demetrio.prado@gmail.com.

Sobre o blog

Um espaço que olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. Aqui tem destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa.