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Blog Olhar Olímpico

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Prêmio Brasil Olímpico mostra: nossos melhores atletas estão longe

Demétrio Vecchioli

2022-02-20T18:23:39

22/02/2018 23h39

Num momento que o NBB (Novo Basquete Brasil) está mais forte do que nunca, o melhor atleta brasileiro de basquete de 2017 é exatamente um dos poucos que atua na Europa: Vitor Benite. Fora do país também moram o melhor nadador brasileiro da atualidade, o melhor halterofilista e a melhor esgrimista. Se há um padrão entre 51 atletas apontados como os melhores de suas modalidades no Prêmio Brasil Olímpico de 2017, ele é a distância de nossos ídolos.

Não que os esportistas que moram fora do país sejam maioria entre os 51 escolhidos por um juri formado por dirigentes, ex-atletas e jornalistas (este incluído). Não são. Mas, via de regra, nas modalidades em que há brasileiros morando, treinando ou competindo no exterior, quem ganhou o prêmio não está no Brasil. A sensação que fica é a de que quem pode vai embora.

Entre os nadadores, exceto os que estão cursando universidade nos Estados Unidos (e eles são em cada vez maior número), todos os outros do alto rendimento voltaram ao Brasil. Exceto Bruno Fratus, exatamente o escolhido como melhor de 2017, de forma incontestável – aliás, não acho seja justo que Fratus não esteja entre os três indicados ao prêmio máximo oferecido pelo COB, que são Caio Bonfim (atletismo), Evandro/André (vôlei de praia) e Marcelo Melo (tênis).

Diversos são os que seguiram para o exterior por competir por equipes profissionais, o que seria impossível no Brasil. Flávia Pararella (ciclismo de estrada), Henrique Avancini (ciclismo moutain bike) e Hugo Calderano (tênis de mesa) estão nessa lista.

Nos esportes coletivos, essa tendência é ainda mais antiga e vale até para o vôlei. Num momento em que a base da seleção brasileira feminina de vôlei joga no Brasil, a escolhida como a melhor de 2017 foi Natália Zilo, que atua na Turquia – o Campeonato Turco não é transmitido na tevê brasileira. No handebol, o nível técnico que distancia Duda e os times brasileiros é gigantesco. O mesmo vale para Eric Pardinho, do beisebol.

E ainda há aqueles que deixaram o país em busca de melhores condições de treino, como são os casos de Fernando Reis (levantamento de peso), João Victor Oliva (adestramento), Camila Gomes (ginástica de trampolim) e, mais recentemente, de Ana Marcela Cunha, que foi morar na África do Sul. Ela concorre ao prêmio feminino de melhor do ano, contra Ana Sátila (canoagem slalom) e Mayra Aguiar (judô).

 

 

 

Sobre o autor

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Focado na cobertura olímpica, produziu o Giro Olímpico para o UOL e reportagens especiais para a revista IstoÉ 2016. Criador do Olimpílulas, foi colunista da Rádio Estadão e blogueiro do Estadão, pelo qual cobriu os Jogos do Rio-2016.

Está disponível para críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas no demetrio.prado@gmail.com.

Sobre o blog

Um espaço que olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. Aqui tem destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa.