Blog Olhar Olímpico

Plano para o legado olímpico passa por isenção a Flamengo, Vasco e Botafogo

Demétrio Vecchioli

07/12/2017 04h00

Divulgação/NBB

Cobrado para tornar o Parque Olímpico da Barra um equipamento a serviço do esporte o quanto antes, o governo federal decidiu dar isenção a Flamengo, Vasco e Botafogo para que atuem na Arena Carioca 1 durante o Campeonato Brasileiro masculino de basquete, o NBB. Os três atuarão lá sem pagar aluguel ou qualquer outro tipo de despesa operacional. Quem vai arcar – e está arcando – com energia elétrica, água e pessoal é a Autoridade de Governança do Legado Olímpico (AGLO).

“O principal fundamento da AGLO é dar adequação para o legado olímpico. Ela existe para fomentar o esporte”, argumenta Paulo Márcio Dias Mello, presidente da autarquia, que passou a funcionar apenas no final de março e que pode acabar ao longo do ano que vem, caso de fato o parque olímpico seja privatizado, como quer o governo.

Nos primeiros eventos no parque, ambos de vôlei de praia, no Centro Olímpico de Tênis, a Confederação Brasileira de Vôlei de Praia (CBV) teve que pagar aluguel em forma de contrapartidas – instalou guarda-corpos e ajudou na construção de uma quadra de areia do lado de fora do estádio. Mas, no mês passado, a Confederação Brasileira de Basquete (CBB) utilizou a Arena Carioca 1 para um jogo das eliminatórias do Mundial sem precisar dar contrapartidas.

“A CBV tem condição financeira privilegiada. Ela pagaria um valor bastante caro para ter uma estrutura na praia (para o Circuito Mundial de Vôlei de Praia). Se a gente consegue oferece uma estrutura que vai gerar economia para ela, por que não ela contribuir com um valor? É diferente da CBB, que passa por dificuldades financeiras, ou de entidades menores, como a federação carioca de tênis de mesa, por exemplo. Eu não tenho obrigação de cobrar”, argumenta Paulo Márcio.

No caso dos clubes de basquete, a alegação da AGLO também é que eles passam por dificuldades financeiras. “A imprensa amplamente divulgou a dificuldade de realização de campeonato porque eles não tinham condições de locar um espaço. Meu entendimento é que se há uma dificuldade financeira deles e eu tenho arenas, por que não ceder?”, diz.

Paulo Márcio se refere ao Campeonato Carioca de Basquete, que não foi realizado porque os clássicos precisariam ocorrer em ginásios com segurança reforçada, o que não é o caso das casas de Flamengo, Vasco ou Botafogo. Alugar a Jeunesse Arena seria caro demais. Para o NBB, a AGLO entrou na parada, cedendo a Arena Carioca 1 não apenas para os clássicos, mas também para jogos contra outras equipes. Em novembro, por exemplo, o Vasco jogou lá contra o Mogi e, daqui a um mês, quatro partidas acontecerão no ginásio em um espaço de 10 dias.

A ideia é que, financiado pelo governo federal, o parque olímpico, especialmente a Arena Carioca 1, se torne o principal palco do esporte no Rio, seja com esportes não tão populares (está acontecendo lá o Sul-Americano de Badminton) ou mesmo com jogos das seleções de basquete e vôlei – a AGLO quer que a fase brasileira do Gran Prix de Vôlei ocorra lá ano que vem.

Orçamento – Ainda que a proposta de Lei Orçamentária Anual (LOA) enviada pelo presidente Michel Temer à Câmara dos Deputados contemple R$ 150 milhões para a AGLO, a autarquia já sabe que não o dinheiro que receberá no ano que vem será ainda menor do que o deste ano. É que o valor de R$ 150 milhões que consta no documento inclui os custos relativos à manutenção do Parque Olímpico de Deodoro (dinheiro que o Ministério do Esporte repassa, ou deveria repassar, ao Ministério da Defesa) e da Rede Nacional de Treinamento, que não tem nada a ver com a AGLO.

De acordo com Paulo Márcio, a prioridade para o ano que vem é a mesma deste: trazer melhorias para o parque. “Como contrapartida da locação de espaço, eu construí uma quadra que vai ficar para a vida inteira para diversos esportes de praia. No ano que vem, a gente quer pôr arquibancada na área externa dessa quadra”, conta.

O Centro Olímpico de Tênis, por enquanto, seguirá recebendo apenas competições locais, ainda que tenha arquibancada para mais de 7 mil pessoas. A ideia da AGLO é que o ATP 500 do Rio seja realizado lá a partir de 2019, mas para isso a Associação dos Tenistas Profissionais precisa aceitar mudar o tipo de piso do torneio.

 

 

 

 

 

Sobre o autor

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque, interior de SP, vive na capital paulista desde que começou a estudar jornalismo na Faculdade Cásper Líbero, onde terminou a graduação em 2007 e a pós-graduação em 2011. Após início na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Focado na cobertura olímpica, produziu o Giro Olímpico para o UOL e reportagens especiais para a revista IstoÉ 2016. Criador do Olimpílulas, foi colunista da Rádio Estadão e blogueiro do Estadão, pelo qual cobriu os Jogos do Rio-2016.

Sobre o blog

Um espaço que olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. Aqui tem destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa.

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