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Olhar Olímpico

Entidades querem atletas com 33% dos votos e igualdade de gênero no COB

Demétrio Vecchioli

08/11/2017 04h00

Convidados a opinar na chamada "estatuinte" do Comitê Olímpico do Brasil, a Atletas pelo Brasil e a Sou do Esporte, duas das principais entidades sem fins lucrativos ligadas ao esporte no país, apresentaram na quarta-feira sugestões para a reforma estatutária do COB. Entre as ideias propostas, duas chamam atenção: reserva de 1/3 dos votos da assembleia geral para atletas e a equiparação de gêneros no quadro de funcionários do comitê.

A estatuinte – uma mistura de "constituinte" com "estatuto" -, como vem sendo chamada, deve apresentar um projeto de novo estatuto para o COB ainda em dezembro. A ideia de Paulo Wanderley Teixeira, presidente da entidade, é que a proposta seja levada à assembleia geral para ser aprovada até o fim do ano, valendo já para 2018.

Na mesma assembleia extraordinária na qual Nuzman renunciou e Paulo Wanderley assumiu a presidência, representantes das confederações de vela, atletismo e esgrima foram apontados para fazer parte do grupo de trabalho, assim como o presidente da Comissão de Atletas, o judoca Tiago Camilo.

A Atletas pelo Brasil, ONG que tem como líderes Ana Moser e Raí, seu atual presidente, e a Sou do Esporte, que se apresenta como "rede de relacionamento entre atletas, entidades esportivas, poder público e o setor privado", também foram convidados a participar do debate.

O documento apresentado por elas é dividido em cinco itens. O primeiro diz respeito à revisão do colégio eleitoral e a proposta das ONGs é que haja uma proporcionalidade de votos: 2/3 para as confederações e 1/3 para os atletas. As entidades defendem que essa proporção seja obrigatória mesmo quando houver inclusão/exclusão de federações, decorrentes de mudanças no programa olímpico – em 2018, as confederações de skate, beisebol, escalada, surfe e caratê vão entrar no COB.

O item 2 das sugestões é breve: "Fim das cláusulas de barreira para candidatura a cargo eletivos". É que atualmente o COB só permite inscrição de chapas que tenham apoio expresso de 10 confederações.

No item 3, as ONG's pedem uma reestruturação da governança, com a criação de um Conselho de Administração, com de 11 a 13 membros, sendo três representantes dos atletas. O conselho teria maioria de membros independentes e o presidente do COB só poderia participar das reuniões como ouvinte.

Elas também propõem que o Plano de Ação e o Orçamento anual sejam aprovados pela assembleia geral e executados por um Diretor de Operações. Além disso, seria contratado um gerente de auditoria interna e conformidade.

Esses cargos todos propostos pelas ONG's, incluindo um novo modelo de diretoria, devem ser divididos igualmente entre homens e mulheres. É isso que propõem as entidades, que ressaltam que o COB deve seguir o modelo do COI, que vem implementando, a partir da sua Agenda 2020, essa equiparação.

Esse é o quinto item do documento apresentado na quarta-feira ao COB. O quarto trata sobre datas. As ONGs sugerem que o estatuto social seja alterado até 24 meses antes da próxima eleição, que deverá acontecer no final de 2020.

 

Sobre o autor

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Focado na cobertura olímpica, produziu o Giro Olímpico para o UOL e reportagens especiais para a revista IstoÉ 2016. Criador do Olimpílulas, foi colunista da Rádio Estadão e blogueiro do Estadão, pelo qual cobriu os Jogos do Rio-2016.

Está disponível para críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas no demetrio.prado@gmail.com.

Sobre o blog

Um espaço que olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. Aqui tem destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa.