Blog Olhar Olímpico

Caio Bonfim é bronze na marcha e ganha primeira medalha do Brasil em Londres

Demétrio Vecchioli

13/08/2017 11h39

(AFP PHOTO / Daniel LEAL-OLIVAS)Foi no última dia, na última chance, mas o Brasil não vai sair zerado do Mundial de Londres. Quarto colocado na Olimpíada do Rio, Caio Bonfim confirmou seu potencial e conquistou, neste domingo, a medalha de bronze na prova de 20 quilômetros da marcha atlética, disputada em um circuito de 2km montado em frente ao Palácio de Buckingham, casa da realeza britânica. Ele bateu o recorde brasileiro e só completou atrás do colombiano Eider Arévalo e do russo Sergei Shirobokov, que compete como atleta neutro. Para chegar à medalha, ultrapassou o sul-africano Lebogang Shange na última volta.

“A prova começou em um ritmo muito forte, todo mundo quatro minutos por quilômetro. Eu sabia que a minha briga era contra eu mesmo. Eu sabia que o pessoal ia acabar ficando para trás. E foi o que aconteceu. Quando vi que o sul-africano foi diminuindo o ritmo, sabia que tinha que passar ele. Quando vi o tempo, nem acreditei”, disse Caio, que completou em 1h19min04s, melhorando seu recorde nacional em 38 segundos.

O resultado de Caio é o melhor do Brasil na história das provas de marcha atlética, levando em consideração também os Jogos Olímpicos. Mais cedo, Erica Sena já havia feito história, batendo o recorde sul-americano da prova feminina e completando no quarto lugar.

Os dois são também os melhores resultados do Brasil no Mundial de Londres até aqui. Antes, o país havia conquistados três sétimos lugares, com o revezamento 4x100m feminino, Rosângela Santos (nos 100m) e Thiago André (nos 800m). A delegação brasileira ainda compete mais uma vez neste domingo, com Andressa de Morais na final dos disco. Ela, porém, não tem chance real de ir ao pódio.

Os marchadores eram a principal esperança de medalha do Brasil no Mundial, uma vez que Thiago Braz, campeão olímpico do salto com vara, e Núbia Soares, quarta do ranking mundial do salto tripolo, foram cortados. Mais cedo, Erica Sena brigou no pelotão da frente até quando faltavam cerca de 2 quilômetros para o fim e saiu reclamando da postura dos juízes, que deram a ela quatro punições em curto espaço de tempo. A brasileira, porém, bateu o recorde sul-americano

Pela manhã, Nair da Rosa correu a prova feminina de 50km, disputada pela primeira vez Mundiais, depois de ser reconhecida pela IAAF no começo do ano. Ela chegou em quinto, mas seu resultado oficialmente é desconsiderado pela federação internacional, que já havia estipulado um tempo mínimo para a prova, visando garantir o nível técnico. Na falta de atletas preparadas para a prova mais longa do atletismo, só sete largaram: duas chinesas, uma portuguesa (a campeã e recordista mundial Inês Henriques) e três norte-americanas.

Sobre o autor

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque, interior de SP, vive na capital paulista desde que começou a estudar jornalismo na Faculdade Cásper Líbero, onde terminou a graduação em 2007 e a pós-graduação em 2011. Após início na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Focado na cobertura olímpica, produziu o Giro Olímpico para o UOL e reportagens especiais para a revista IstoÉ 2016. Criador do Olimpílulas, foi colunista da Rádio Estadão e blogueiro do Estadão, pelo qual cobriu os Jogos do Rio-2016.

Sobre o blog

Um espaço que olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. Aqui tem destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa.

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