Blog Olhar Olímpico

Etíope repete Gatlin, ganha ouro e estraga despedida de Mo Farah

Demétrio Vecchioli

12/08/2017 16h42

(David J. Phillip/AP)

A torcida que tem lotado o Estádio Olímpico de Londres parece estar com o pé frio. Em um Mundial por enquanto muito ruim para os donos da casa, mais um ídolo viu sua festa ser estragada. Em sua última final, diante de uma torcida apaixonada por ele, Mo Farah foi só medalhista de prata na final dos 5.000, na noite deste sábado. Desde o título mundial na mesma prova em 2011, ele nunca havia perdido uma grande competição. A derrota veio na despedida, exatamente como havia acontecido com Usain Bolt, sábado passado, na final dos 100m.

Mo Farah fez, como sempre, uma corrida tática. Deixou o australiano Patrick Tiernan liderar várias voltas e acelerou o passo nas últimas duas voltas, acompanhado dos etíopes Muktar Edris e Yomif Kejelcha e do americano/queniano Paul Chelino. Os quatro entraram na última reta praticamente juntos e a vitória acabou ficando com Edris. Mo Farah pegou a prata por 0s12, seguido de Chelino.

Se Usain Bolt se aposenta do atletismo neste sábado como o melhor de todos os tempos nos 100m e nos 200m, sabendo que ainda vai demorar para surgir (se surgir) alguém para superá-lo, Mo Farah se despediu dos seus fãs com marcas que o colocam como “mais um” nos rankings das provas de fundo. Não significa, porém, que seu nome não esteja para sempre na história do esporte. Com a prata conquistada nos 5.000m, o somali naturalizado britânico encerrou sua carreira em grandes competições com 10 medalhas de ouro e duas de prata.

Também diferente do ídolo jamaicano, que vai acordar amanhã, calçar chinelos e, diz ele, não pensa em correr de novo, Mo Farah ainda tem muito a fazer pelo atletismo. Ele recebeu uma bolada para correr os 5.000m em Zurique (Suíça), no próximo dia 23, quando vai se despedir das provas de pista. A partir do ano que vem, Mo Farah, de 34 anos, será exclusivamente um maratonista, um dos muito candidatos a entrar para a história como o primeiro homem a correr a distância abaixo de duas horas.

A prova deste sábado, porém, marcou o fim de um ciclo para Mo Farah. Afinal, foi exatamente no Estádio Olímpico de Londres que ele entrou no hall dos grandes nomes do atletismo, do esporte, e do Reino Unido. Depois de ganhar um ouro e uma prata no Mundial de 2011, o segundo da carreira, o britânico foi um dos grandes nomes da Olimpíada de Londres, em 2012. Representante de um Reino Unido multiétnico, no qual um imigrante somali também pode se tornar ídolo.

(Lucy Nicholson/Reuters)

Mestre em “cozinhar” a prova e voar na parte final, Mo Farah se tornou imbatível nas suas duas especialidades. Entre a conquista nos 5.000m em Daegu, em 2011, até hoje foram 10 vitórias consecutivas em grandes competições (Olimpíadas e Mundiais). Ao mesmo tempo, é só o 31º do ranking mundial de todos os tempos dos 10.000m e 16º no dos 5.000m, atrás inclusive de atletas que foram seus contemporâneos. Mo Farah, porém, sempre soube fazer o mais importante: ganhar provas.

Em um país que vivia o esporte olímpico como febre, Mo Farah logo virou referência. Em 2013, uma pesquisa com crianças e adolescentes britânicos de 8 a 13 anos o apontou como atleta mais inspirador. E foi na esteira dele que o atletismo cresceu na Grã-Bretanha, a ponto de o Mundial de Londres ter batido todos os recordes de público, ficando com casa cheia praticamente em todas as sessões.

Neste sábado, o público praticamente fez uma “ola” em cada umas 12 voltas da final dos 5.000m, levantando cada vez que Mo Farah passava por cada setor. Na última volta, todo mundo já estava de pé, até a imprensa. O sentimento de frustração foi geral, exatamente quando Gatlin venceu Bolt na final dos 100m.

O comportamento dos dois ídolos foi diferente. Bolt não abaixou a cabeça, foi parabenizar o vencedor, abriu o sorriso e começou sua volta olímpica. Mo Farah sentiu o baque e ficou no chão. Só foi levantado pelos rivais, que queriam abraçá-lo. Ele até deu sua volta olímpica com a bandeira britânica, mas com a cara amarrada, sem clima. A água já havia estragado o chopp.

 

Sobre o autor

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque, interior de SP, vive na capital paulista desde que começou a estudar jornalismo na Faculdade Cásper Líbero, onde terminou a graduação em 2007 e a pós-graduação em 2011. Após início na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Focado na cobertura olímpica, produziu o Giro Olímpico para o UOL e reportagens especiais para a revista IstoÉ 2016. Criador do Olimpílulas, foi colunista da Rádio Estadão e blogueiro do Estadão, pelo qual cobriu os Jogos do Rio-2016.

Sobre o blog

Um espaço que olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. Aqui tem destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa.

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