Blog Olhar Olímpico

COI cobra que Rio cumpra promessa de construir escolas com o legado

Demétrio Vecchioli

19/06/2017 04h00

Imagem divulgada pelo Centro de Mídia do Rio

O Comitê Olímpico Internacional (COI) não ficou nada satisfeito ao ser informado de que a o Rio de Janeiro desistiu de transformar a Arena do Futuro, casa do handebol nos Jogos Olímpicos de 2016, em quatro escolas municipais. A reciclagem do ginásio sempre foi vendida como o grande exemplo de como o legado olímpico seria revertido em benefício para população.

“Esperamos que os casos positivos ajam como um exemplo para os desafios futuros e particularmente encorajam as autoridades públicas a entregar o que se comprometeram por um forte legado. Isso é particularmente verdade para a Arena do Futuro, à qual se prometeu que seria transformada em quatro escolas públicas”, cobrou o COI em comunicado enviado ao Olhar Olímpico.

 

“Os responsáveis ​​pelo legado devem fazer todos os esforços, como prometeram no passado, para garantir que esses investimentos deem frutos para o público em geral. Quando os esforços diretos são feitos, já vemos bons exemplos”, reforçou o COI, citando que o Parque Aquático Maria Lenk serve de CT para o Comitê Olímpico do Brasil e recebeu um laboratório de ponta recentemente.

A reclamação do COI vem logo após a Prefeitura do Rio anunciar, durante evento em que foi apresentado o exigido Plano de Legado Olímpico, que não tem dinheiro para transformar a Arena do Futuro em quatro escolas, como era o planejado. No entender do governo de Marcelo Crivella (PRB), a prioridade é terminar de construir as escolas que estão em obras.

A Arena do Futuro custou R$ 140,6 milhões e foi desenhada de forma que todas as peças fossem utilizadas para a construção de quatro escolas. Em setembro de 2015, quando o ginásio foi inaugurado parcialmente, o então prefeito Eduardo Paes (PMDB) deu a seguinte declaração:  “Aqui a gente introduz um conceito novo de Olimpíada, que é a arquitetura nômade. Em geral essas arenas temporárias são destruídas depois dos Jogos, mas nós já fizemos um projeto e todo o material de aço e concreto vai servir para construir quatro escolas municipais, sendo três no Camorim, Cidade de Deus e Anil, e outra em São Cristóvão. Essa foi uma forma inteligente que nós usamos para que o espaço não virasse depois um elefante branco.”

Menos de dois anos depois, a Arena do Futuro não só é um elefante branco, como é também uma enorme dor de cabeça para prefeitura e governo federal. O custo de desmontagem, R$ 25 milhões, estava incluído no primeiro convênio firmado entre prefeitura e Ministério do Esporte, em 2013. Depois, um aditivo retirou o item, também reduzindo o valor do contrato.

O plano passou a ser que, encerrada a Olimpíada, o Parque Olímpico da Barra fosse entregue a um concessionário por 25 anos e, livre dos custos de manutenção, a prefeitura (com recursos do governo federal)  disponibilizaria R$ 108 milhões para desmontar a arena (por R$ 46 milhões) e transformá-la em quatro escolas (mais R$ 61 milhões). Só que o edital só teve uma empresa interessada, que foi desclassificada, e o pepino continuou nas mãos dos governos.

No caso do municipal, agora com um novo prefeito, Marcelo Crivella, que sempre deixou claro ter outras prioridades que não as do seu antecessor. A sub-secretaria de Esporte até fez a parte dela, que era desmontar as duas piscinas do Estádio Aquático, mas a Riourbe também sequer começou o desmonte do esqueleto do centro aquático. Novamente, o item constavam no edital de concessão, com a prefeitura calculando que gastaria R$ 59 milhões.

Pelo que apurou o Olhar Olímpico, governo federal e prefeitura não se entendem sobre os valores a serem repassados para as duas obras. A União considera altos os números pedidos pelo município, que deverá ser o responsável por pagar a multa por não devolver o terreno à Rio Mais, que é dona de ambos os lotes. Pelo contrato, o terreno teria que ser entregue “limpo” em 31 de julho, o que não irá acontecer.

Sobre o autor

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque, interior de SP, vive na capital paulista desde que começou a estudar jornalismo na Faculdade Cásper Líbero, onde terminou a graduação em 2007 e a pós-graduação em 2011. Após início na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Focado na cobertura olímpica, produziu o Giro Olímpico para o UOL e reportagens especiais para a revista IstoÉ 2016. Criador do Olimpílulas, foi colunista da Rádio Estadão e blogueiro do Estadão, pelo qual cobriu os Jogos do Rio-2016.

Sobre o blog

Um espaço que olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. Aqui tem destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa.

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