Blog Olhar Olímpico

Duplas veem premiação despencar e Mundial vira chance de salvar temporada

Demétrio Vecchioli

28/07/2017 04h00

Há um ano, Alison e Bruno Schmidt chegavam aos Jogos Olímpicos do Rio com US$ 206 mil acumulados em premiações no Circuito Mundial. No sábado, eles abrem o Campeonato Mundial de Vôlei de Praia em Viena tendo juntado, até aqui, menos de um terço disso: US$ 67 mil (R$ 211 mil para a dupla, sem descontar impostos). O valor pode parecer alto, mas precisa pagar diversos custos da dupla, como a manutenção de uma equipe multidisciplinar, responsabilidade que antes era do COB. Tem sobrado pouco para os jogadores, que, afinal, vivem disso e não têm salário.

O corte nas premiações e a mudança no formato do Circuito Mundial impactou no bolso dos jogadores e o Campeonato Mundial, que paga US$ 60 mil aos campeões, pode ser a salvação da lavoura. A competição começa nesta sexta-feira, na Áustria, e é a penúltima relevante da temporada internacional. No final de agosto, acontece em Hamburgo, na Alemanha, o Tour Finals, com as 12 melhores duplas e premiação total de US$ 800 mil.

“A redução na premiação foi por causa da crise mundial. Precisamos de um número ‘x’ de pontos para estarmos entre os melhores nos torneios de cinco estrelas e, nas etapas menores, estão pagando menos: pouca premiação e pouca pontuação. Ficou muito diferente a pontuação entre os torneios de níveis diferentes, de mais ou menos estrelas”, explica Alison.

Para essa temporada, a Federação Internacional de Vôlei (FIVB), comandada pelo brasileiro Ary Graça, dividiu as etapas do circuito mundial em cinco categorias, de uma a cinco estrelas, criando um abismo entre elas. Os eventos de uma estrela pagam US$ 2 mil à dupla campeã e os de duas estrelas pagam US$ 6 mil. Só que eles são na Ásia ou na Oceania, o que não vale a viagem para as duplas brasileiras, que só não ficam obrigatoriamente no prejuízo com a viagem se forem campeãs.

Mesmo os de três estrelas, que pagam US$ 8 mil à dupla campeã, só compensam quando realizados na Europa. Além deles, são apenas cinco eventos de quatro ou cinco estrelas. E o impacto tem sido sentido no bolso de todo mundo. As quatro duplas masculinas que disputam o Mundial, por exemplo, somam até aqui valores entre US$ 65,5 mil e US$ 78 mil. Os recordistas são Álvaro e Saymon, que ganharam a etapa de Fort Lauderdale (EUA), ganhando US$ 40 mil só ali. E eles são os segundos colocados do ranking mundial.

O mesmo problema, claro, vale também para as mulheres. No ano passado, Ágatha, jogando com Bárbara Seixas, faturou US$ 97 mil antes da prata na Olimpíada, mesmo fazendo uma temporada ruim, com apenas uma medalha de prata no Circuito. Esse ano, com Duda, já são um ouro, uma prata e três bronzes. E uma perda de US$ 6 mil na premiação somada.

O circuito só continua atraente para os brasileiros porque a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) paga as despesas de viagem das quatro duplas que entram direto na chave principal dos torneios de três a cinco estrelas e ainda disponibiliza para cada uma delas uma espécie de fundo, que os times usam para levar suas equipes (técnico, preparador físico, nutricionista, fisioterapeuta) para as competições. O dinheiro, porém, não garante a ida de todo o staff para todas as competições e a premiação costuma ser utilizada para pagar salários.

Até o ano passado, o Comitê Olímpico do Brasil (COB) ajudava a dupla pagando parte da equipe de apoio, como fisiologista, nutricionista, estatístico e psicólogo. Agora, a conta sobrou para os atletas, justo em um momento de corte de premiações.

“Existe uma preocupação grande, não só nossa, e a nossa equipe precisou fazer alguns cortes. Hoje, não estamos recebendo mais a ajuda que recebíamos durante o ciclo olímpico. Nós que estamos bancando tudo. É uma situação difícil, porque fomos campeões olímpicos, campeões mundiais, e, para mantermos tudo, estamos tendo que investir mais. É difícil, mas estamos nos adaptando e tentando fazer o nosso melhor”, completa Alison.

Atuais campeões mundiais e olímpicos, ele e Bruno estreiam nesta sexta-feira contra uma dupla de Moçambique. O Brasil ainda tem mais outras três duplas no masculino: Evandro/André, Álvaro Filho/Saymon e Pedro Solberg/Guto. No feminino, estão presentes Ágatha/Duda, Larissa/Talita, Maria Elisa/Carol (convidadas da organização), Elize Maia/Taiana e Bárbara Seixas/Fernanda Berti.

 

Sobre o autor

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque, interior de SP, vive na capital paulista desde que começou a estudar jornalismo na Faculdade Cásper Líbero, onde terminou a graduação em 2007 e a pós-graduação em 2011. Após início na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Focado na cobertura olímpica, produziu o Giro Olímpico para o UOL e reportagens especiais para a revista IstoÉ 2016. Criador do Olimpílulas, foi colunista da Rádio Estadão e blogueiro do Estadão, pelo qual cobriu os Jogos do Rio-2016.

Sobre o blog

Um espaço que olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. Aqui tem destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa.

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